Criança tola

Como estava o clima naquela manhã? Não estava quente, mas deixei o suéter de lado.
Não estava chovendo, mas calcei minhas galochas. Não olhei para o céu, mas sei que pouco se podia dizer de como seria o dia!
Mas sei muito bem como estava o clima no meu interior.

Cheio! Não, não estava cheio de alegria! Muito menos de amor, ou paz…
Mas cheio de raiva. O que é raiva? Não sei explicar, mas sei que era ela que estava em meu coração.
As últimas semanas foram decisivas para que a raiva crescesse mais e mais, desenfreadamente.
Por quê?

Um sorriso sem motivo, mas cheio de luz. Sabe quando alguém sorri e contagia todos ao seu redor? Pois é, foi isso! Mas algo me dizia que aquele sorriso não era pra mim, mas sim de mim!

E o mesmo se repetiu por mais dois dias seguidos.

 Mas não sou boba e hoje mudei de caminho! Hoje vai ser diferente, não terei de ver aquela criança e muito menos seu sorriso, ai então essa raiva que há dentro mim certamente passará!

Crianças, quem as autorizou a sorrir?


A morte discou o número errado

Estava sentada apreciando o pôr do sol.
As cores se misturavam lhe deixando sem ar, quando seu telefone tocou.
Estendeu a mão e com pouca vontade se fez ouvinte.
Do outro lado a pessoa estava agitada e com a voz entrecortada anunciou que a sua mãe havia falecido.
Perdeu o chão. Perdeu os sentidos.
Fazia uma semana que não ligava para sua mãe, mas pelo que sabia, a saúde dela não estava tão ruim.
Pouco importava aquelas cores que mais parecia uma peça sendo pregada à ela.
A imagem de sua mãe com seus braços sempre estendidos não saia da sua mente.
E aqueles pássaros cantando… queria que se calassem.
Aquele aroma das flores que antes lhe alegravam a alma agora tinham cheiro de morte.
Do outro lado uma voz o trouxe de volta a realidade.
A pessoa dava instruções sobre as providencias que deviam ser tomadas, mas ao dizer o nome da sua mãe ela teve um sobressalto.
Aquele não era o nome da sua mãe.
Ao dizer o numero do seu telefone a pessoa do outro lado pediu desculpas.
Havia discado o numero errado.
Que bela peça lhe foi pregada.
Respirou fundo e voltou para o seu belo pôr do sol.
Como tudo estava perfeito e lindo naquele dia.